segunda-feira, 5 de julho de 2021

Festa junina num metro quadrado - Hélio Consolaro

Na última sexta-feira, 25/06/2021, sextei na solidão de minha vida digital pandêmica: fiz uma festa junina sem aglomerar. Televisor, duas minicervejas, quibe assado e pipoca, das 19h às 22h, na área de minha casa, um reduto bem arejado. 

Sozinho mesmo, pois minha companheira gosta de novelas. Não podia passar em branco, aglomerar jamais, nem parentes e nem vizinhos. Eu me lembrei com saudades da mesmice das festas dos santos de junho nas escolas. O cotidiano da vida é vingativo, dói na gente quando nos falta.

Na primeira parte da noite, ouvi Michel Teló comemorando São João, cantando os modões caipiras. Organizou seu repertório didaticamente, na linha do tempo, explicando a evolução do gênero, cantando de Tonico e Tinoco a Luan Santana. Parecia a palestra do professor Romildo Santana sobre "Literatura e música caipira". Voltei às minhas raízes.

crooner começou garoto na banda Tradição, de Campo Grande-MS, fazendo bailes por várias vezes nas noites araçatubenses. O loirinho simpático. 

Na segunda parte da noite, sem saber fazer a Capelinha de Melão, tradição da festa de São João no Nordeste, a minha festa junina particularíssima foi patrocinada pelo Bradesco, uma live de São João com Alceu Valença, cantor pernambucano. Curti as raízes do Brasil. Ninguém sabe se canta MPB ou rock, mas o velhinho ainda encanta os jovens com o hibridismo de seu ritmo.  

Então, caro leitor, não pude lhe oferecer texto mais substancioso, pois a vida do cronista anda meio restrita nessa pandemia de covid-19, mas dizem que o bom jogador dribla o adversário num metro quadrado. Não é o meu caso, estou tentando.  


Hélio Consolaro é membro da Academia Araçatubense de Letras e mentor do Grupo Experimental.

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