Há algum tempo, uma certa propaganda, perguntava: “O que faz você feliz?”
Então, nos mostrava cenas do cotidiano,
tais como: um doce, a praia, um beijo ou goiabada com queijo...E por aí vai.
O fascinante é que se você se dá conta de
que tantas coisas, tão simples, que passam por nós em nossos dias ditos comuns,
são o que importam de verdade...
O dinheiro, o sucesso, ou ganhar na tal
da Mega. Tudo isso vale menos do que poder relaxar tranquilo numa tarde de
outono. Ou comer brigadeiro de panela.
E começamos a perceber que um bom
livro, ou um bom dia com um sorriso no olhar, um abraço daqueles de matar
saudade, ver seu bichinho de estimação esparramado pelo chão, um luar daqueles
de fazer clarão, barulho de chuva, calor nadando no rio, coberta e chocafé num
dia de frio. É o que realmente importa.
Acho bem pouco provável que se eu vier
a lhe perguntar o que desejaria para ser feliz, você me responderia: uma Ferrari
Não seria nada mal, mas acredito
firmemente, que me responderia no ato que o que o faz feliz é o bem estar de
quem se ama: a saúde, a segurança sua e de todos a quem quer bem.
Dia desses ao ouvir a música “O Perfume
da Memória”, de Oswaldo Montenegro, tive esta epifania: o que realmente
importa, que nos faz viver, querer continuar. Seja em paz, seja a lutar, são os
perfumes da memória gravados em nossa alma.
Faço-lhe agora um desafio:
contar-lhe-ei um de meus perfumes, e depois você fechará seus olhos e trará
para a superfície um de seus melhores perfumes da memória, combinado? Vamos lá!
Há muitos anos, já muito longe de casa,
fui corriqueiramente lavar roupas. Havia trocado aleatoriamente a marca do
amaciante. Para minha surpresa, ao pendurar as roupas no varal e sentir “aquele
perfume”, me vi novamente uma criança que abriu a porta num dia frio e viu a
mãe toda molhada a cuidar das roupas. Lembro que ela ralhou comigo: “Vá se
agasalhar, tem bolo e chá sobre a mesa!”.
Quando o perfume do amaciante me fez
lembrar daquele momento, eu me vi ali, sem chá, sem bolo, mas com o perfume que
me mostrava que, mesmo estando minha mãe molhada e com frio, preocupava-se
conosco, em nos aquecer. Percebi que aquele perfume era de amor e cuidado!
Tantos perfumes da memória temos nós
guardados na alma: o cheiro de café que te lembra uma tarde deliciosa com
alguém que ama, cheiro de pão da vó, do perfume de um amigo que você nunca mais
viu. Cheiro de mar, de fruta colhida no pé, de chocolate e aquele perfume que
descaradamente te inebria a alma!
São as coisas simples, que muitas vezes
nos passam quase desapercebidas que nos fazem feliz!
Faz-nos sorrir sem perceber, chorar sem
querer, e às vezes desatentamente chorar de tanta felicidade...transbordar
sorriso em lágrimas!
Não gosto de utilizar “termos de
modinha”, mas devo dizer que este tal de NOVO NORMAL não me agrada nem um pouco,
pois coloca em desarmonia essa vida corriqueira, que aproxima da família, dos
amigos. Nos distancia, nos isola, e isso, não sei até quando vai durar.
Mas já vou deixar marcado, quando esta
loucura passar, quero um abraço apertado para a saudade matar.
Por hora nos resta o resguardo, a
paciência (que nunca tive) e a fé de que tudo vai passar, e enfim nos
reuniremos pra comemorar nosso VELHO NORMAL.
Deixo a vocês o melhor presente que se
pode neste momento desejar que você tenha e relembre muitos perfumes da
memória. E que alguns te façam rir e chorar!
Sei que logo poderemos nos reencontrar,
e assim, sem perceber, nossos perfumes misturar! Até breve!
Eliane Martos é membro do Grupo Experimental da AAL e youtuber no canal: Crônicas de Quinta


Nenhum comentário:
Postar um comentário