Este
não é um texto sobre poesias e flores. Nem ao menos um texto conceitual
fundamentado em grandes pesquisas. Ah! também não é um texto sobre malabarismo.
Tenho certeza de que você mãe e educadora irá se identificar com este relato: o
relato de uma educadora e mãe no contexto pandêmico.
A
pandemia da covid-19 e as diversas mudanças na rotina, trouxeram uma quantidade
e atividades e de adaptações que afetam cada vez mais o cotidiano de todas nós
educadoras, principalmente mães.
Além de
utilizarmos a casa um dos nossos ambientes de trabalho, visto o ensino híbrido,
ora remoto ora presencial, ainda sobram outras tarefas além do grande desafio
da carreira de docente: os cuidados com a família, as atividades domésticas e o
desenvolvimento dos filhos bem como o acompanhamento de seus conteúdos
escolares, por exemplo. São tarefas muitas vezes exclusiva das mulheres ou pouco
compartilhada com os outros membros da casa.
A
primeira impressão, sob um olhar superficial, poderíamos dizer que o
home-office para as mães seria um fator positivo, afinal, estaria tudo no mesmo
espaço, mas na prática, essa teoria cai por terra: vemos a precarização da vida
das mulheres, considerando que a casa é um lugar de sobrecarga de um trabalho
não remunerado.
Sei bem
como é isso. Sou professora e mãe de duas pequenas, uma com 2 anos e outra com
5 anos, além disso trabalho em duas escolas, portanto, dobro período. Ao chegar
em casa no final do dia, me dedico ao cuidado de minhas filhas, da casa,
alimentação e preparar o material e as aulas para o próximo dia. Esse é um
malabarismo constante entre trabalho, casa, família e sentimentos.
Já tive
dias ruins por conta de ir até a escola cansada pela quantidade de serviço
doméstico; dias ruins por não ter conseguido preparar uma aula adequada por
conta do computador que não está funcionando muito bem. A cobrança no trabalho
aumentou, pela direção e por parte da sociedade, que acredita que os
professores não estão trabalhando. Realmente, não é fácil. Não está fácil.
Minhas
sensações coincidem com o de muitas outras professoras. Elas sentiram que a
pressão da sobrecarga se manifestou mais forte durante a pandemia, em
decorrência com o aumento do tempo dedicado às demandas do ensino remoto – por
exemplo, tempo gasto para gravar (e regravar) os vídeos, editar os materiais,
manter comunicação com as famílias e produzir relatórios de acompanhamento das
aulas.
Eu que
vivencio todos os papéis do ensino remoto – de professora, gestora e aluna –, me
sinto esgotada emocionalmente e fisicamente, com uma sensação de frustração por
sentir que não dá conta, é preciso entender que no atual momento não há outra
alternativa a não ser acreditar que mãe sempre dá conta, porque temos que
seguir.
Acredito
que a casa é o melhor lugar para se estar e minha família é o meu porto seguro,
nosso motivo de luta constante, de cuidado e amor.
O
desafio do mães, professoras e malabaristas segue na quarentena, mas a longo
prazo é preciso repensar estruturas. "Não dá para abandonar as mulheres. É
preciso ver o mundo de outra forma, repensar os prazos e entregas.
Entenda
uma coisa: você é maravilhosa. Por estar aqui, por acreditar na educação, por
ser um pilhar tão importante na estrutura de sua família e de toda a sociedade.
Vai passar. E estaremos aqui, mais firmes, fortes e melhores, juntas.
Para
você que se identificou com o meu relato, sinta-se abraçada, com aqueles
abraços mais demorados, mais calorosos e mais sinceros. Você não está sozinha e
merece todas as homenagens do mundo. Meu relato busca acalentar as angústias de
todas as mães que tanto sofrem nessa pandemia. Estamos todas juntas. Por e para
um mundo melhor.
Fernanda Colli é membro do Grupo Experimental da AAL


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