domingo, 1 de agosto de 2021

Minhas duplas preferidas - Antônio Reis (*)

Não gosto de música sertaneja. Gosto de música caipira. A primeira foi inventada para fins comerciais e cumpre o objetivo. A segunda resiste em pequenos focos e com poucos combatentes. A caipira, ou moda de viola, foi comercialmente rebatizada de “sertanejo-raiz” para diferenciá-la do sertanojo, como os mais radicais tratam o caça-níquel, que recentemente pariu mais uma pérola: o sertanejo universitário.  

Quando criança, pelo rádio de válvula ligado na energia elétrica, bem de manhãzinha, ouvia muitas duplas boas, como Zico e Zeca, Zilo e Zalo, Pedro Bento e Zé da Estrada, Lourenço e Lourival. Os reis da catira, Vieira e Vieirinha, eram presenças obrigatórias nos programas do Rogerinho, Nenê Branco e Nhô Tonho, três baitas comunicadores do rádio araçatubense. A dupla “Coração do Brasil”, Tonico e Tinoco, emociona com “Chico Mineiro” e “Cabocla Tereza”.

“Flor do cafezal” é uma belezura sem tamanho nas vozes de Cascatinha e Inhana. A insinuante “Boneca cobiçada” (Boneca cobiçada/das noites de sereno/teu corpo não tem dono/ teus lábios têm veneno) é o maior sucesso de Palmeira e Biá. De origem paraguaia, a bela guarânia “Cabecinha no ombro” embala qualquer namoro ou casamento com o Duo Guarujá (Armando Castro e Nílsen Ribeiro, marido e mulher).

Hino do sertão, “Menino da porteira” foi gravada por uma imensidão de duplas, mas nenhuma supera a originalidade de Luizinho e Limeira. A moda que conta a história do menino que morreu pisoteado por um boi sem coração, juntamente com “Empreitada perigosa”, nos agudos de Jacó e Jacozinho, e “Pagode em Brasília”, batucado por Tião Carreiro e Pardinho, eram do tipo levanta audiência dos programas radiofônicos.

Tenho saudade do rádio valvulado, Saudade de Matão e Saudade da Minha Terra. Entretanto, sou da geração MPB e não posso deixar de lado Sá e Guarabyra. Quem nunca ouviu “Cinamomo” ou “Jesus numa moto” desconhece a sofisticação da música popular do Brasil. Os gaúchos Kleiton e Kledir são insuperáveis com a sensualíssima “Paixão” (Amo tua voz e tua cor/E teu jeito de fazer amor/Revirando os olhos e o tapete/Suspirando em falsete/Coisas que eu nem sei contar). Vinicius e Toquinho dispensam comentários.

Já que me refiro às minhas duplas favoritas, não posso deixar de mencionar a internacional Simon e Garfunkel com a belíssima “Bridge Over Troubled Water”. À medida que envelhecemos, fazemos novas descobertas que nos surpreendem, basta nos livrarmos do preconceito. Recentemente descobri uma dupla que está fazendo minha cabeça: Renan e Randolfe.

               

(*) Antônio Reis é Jornalista e ativista do Grupo Experimental da Academia Araçatubense de Letras (AAL).


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