Foram destaques no
Febeapá, entre as infinidades de exemplos, um alto funcionário
do governo federal que sugeriu a proibição da venda de vodca para combater o
comunismo; funcionários da Sudene que propuseram, em nome dos ideais
nacionalistas, que o sutiã passasse a se chamar porta-seios; um delegado de
polícia de Mariana (MG) que baixou portaria obrigando as moças a terem
autorização dos pais para entrar no cinema. Também se tornou folclórica a
história de um general que queria prender o pensador grego Sófocles, morto 405
anos a.C, por considerar subversiva sua peça teatral em exibição no Rio de
Janeiro.
Qualquer semelhança com os dias atuais é mera
coincidência, haja vista que há cinco anos “arrojados patriotas defensores da
moral e dos bons costumes” impuseram ao País uma nova “redentora”, capaz de
ressuscitar o Febeapá. Stanislaw
Ponte Preta não imaginava, mesmo no auge de sua criatividade, que em pleno
século 21 a TV Globo seria acusada de comunista. Ah, e que o nazismo é uma
ideologia de esquerda.
A Tia Zulmira teria chilique ao assistir manifestantes
da extrema direita de Goiânia (GO) entoarem “Pra não dizer que não falei das
flores”, de Vandré; ou “cidadãos de bem” pedindo a volta do AI-5 para garantir a democracia; racismo reverso; mamadeira de
piroca ou a máxima de que comunistas criaram a ideologia de gênero para
destruir as famílias “cristãs”. E mais: o povo negro foi amaldiçoado por Noé.
O Primo Altamirando
ficaria estupefato com a bandeira do Estado de Israel em “passeatas cristãs”
para, em seguida, o soprador de berrante afagar uma alemã
defensora do nazismo. Rosamundo
ficaria boquiaberto com Araçatuba (fenômeno em Febeapá) bombando em todo o
País: um grupo de “sem noção” marchando em continência à estátua da Havan,
matando de vergonha araçatubenses que moram neste Brasilzão afora.
Stanislaw Ponte Preta infelizmente
morreu jovem, aos 45 anos, de infarto. O multimídia era também um exímio
frasista: “Imbecil não tem tédio”. O irreverente cunhou uma que explica nossa
agonia: “A prosperidade de certos homens públicos no Brasil é uma prova
evidente de que eles vêm lutando pelo progresso do nosso subdesenvolvimento”.
(*) Antônio Reis é jornalista e ativista do Grupo Experimental da Academia Araçatubense de Letras (AAL).


Nenhum comentário:
Postar um comentário