Quando não há recursos financeiros suficientes para construir, mas existe boa vontade, objetivo e braços para a obra, eis aí as condições para o mutirão.
Tive a oportunidade de participar de um, que teve a duração de dois anos
e meio. Construímos uma igreja e uma casa de zeladoria. Não era um grupo
grande, umas dezessete pessoas: nesse período alguns saíram, outros entraram.
Fiquei do começo ao fim e o que vivi naquele período jamais vou
esquecer. Tirei daquela lida várias lições práticas para a vida: a atividade é
nobre, desafiadora.
Ao
contrário do que muitos pensam, todos podem participar. Não sendo um trabalho
remunerado, cada um participa de acordo com suas condições de tempo,
habilidade. Atuei bastante na cozinha: gosto de criar pratos. O cardápio era
decidido por um pequeno grupo, após as doações de alimentos que recebíamos.
Muitas vezes parecia que seria necessário comprá-los. Mas na última hora,
chegavam: e aí a criatividade aparecia, pois era com aqueles gêneros
alimentícios que poderíamos contar naquele dia. E as refeições eram muito
elogiadas , porque o ingrediente principal era o amor.
Trabalhávamos aos sábados, feriados. O trabalho começou do
"zero": um terreno, uma casa velha para ser demolida parcialmente, e
muita, muita área para carpir, nivelar. Foi minha primeira experiência no
manuseio de rastelos, pás, enxadas. Pisava na terra, sentia o calor dela, transpirava
muito, e como dormia bem depois daquela lida! Retornava para casa com as mãos
cheias de bolhas, feliz da vida. Me
arrisquei em tarefas desconhecidas também na área de construção, de jardinagem:
rejuntar revestimentos, aplicar massa em parede. Demolir, pintar, plantar.
Percebi que, quando existe boa vontade, tudo se pode aprender.
O prazer
de ver semana após semana, a obra caminhando, doações chegando, muitas vezes
anônimas, nos momentos mais difíceis. Eventos beneficentes que realizamos para
angariar fundos, tudo me ensinou alguma coisa.
Entre os participantes se formou um elo de amizade forte, prazeroso. O
tempo passou e continuamos nos vendo: nos tornamos uma grande família. Quando
passo por lá agora, e vejo aquela construção tão linda, lembro que minhas mãos
ali estiveram, e vem uma sensação muito prazerosa. E deixo aqui registrado:
quando você faz o bem para o seu próximo, independente de religião, recebe em bênçãos
para sua vida.
*Alice Silva é funcionária pública aposentada, escritora e secretária do Grupo Experimental da Academia Araçatubense de Letras (AAL).


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